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O novo passo da AWS em Portugal: uma “Local Zone” com um impacto de 3 mil milhões de euros

por Miguel Magalhães (Texto) | 20 de Abril, 2026

Maior proximidade e independência são as principais promessas que a AWS dá a setores-chave da economia portuguesa.

A Amazon Web Services (AWS) apresentou esta segunda-feira em Lisboa a AWS European Sovereign Cloud (AWS ESC), e a esperada AWS Local Zone para Portugal. Este projeto estratégico procura ir ao encontro das necessidades de organizações do setor público e empresas em indústrias reguladas com os mais elevados níveis de soberania e independência operacional, garantindo a residência de dados em território nacional e acelera a transformação digital em Portugal.

Estes objetivos foram abordados durante um evento que contou com a presença de Stéphane Israel, Managing Director da AWS European Sovereign Cloud, e com a participação do Ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, que encerrou a sessão.

A relação da AWS com Portugal começou em 2018 com a abertura do primeiro escritório, numa altura em que as suas tecnologias estavam a ser utilizadas por cada vez mais empresas portuguesas. Oito anos mais tarde desempenha um papel fundamental, por exemplo, nas operações de três dos maiores unicórnios portugueses – a Feedzai, a OutSystems e a Talkdesk.

“Sovereignty by Design”. O que significa ter soberania europeia?

A AWS European Sovereign Cloud é uma cloud independente para a Europa, inteiramente localizada dentro da UE, e física e logicamente separada de outras Regiões AWS. A sua abordagem única oferece a única cloud soberana totalmente funcional e operada de forma independente, apoiada por controlos técnicos robustos, garantias de soberania e proteções legais, concebida para responder às necessidades de governos e empresas europeias para dados sensíveis. A AWS European Sovereign Cloud, e a sua expansão através de AWS Local Zones para mais países, como Bélgica, Países baixos e Portugal, vão oferecer às organizações mais opções para implementar as suas cargas de trabalho na cloud com o mais alto nível de soberania e independência operacional, mantendo a amplitude dos serviços AWS em que confiam para inovar.

As AWS Local Zones são um tipo de infraestrutura que permite aos clientes armazenar
os seus dados numa localização geográfica específica para cumprir requisitos de residência de dados ou executar aplicações sensíveis à latência. A AWS Local Zone em Portugal estará diretamente ligada à AWS European Sovereign Cloud, estendendo os controlos de soberania da Região AWS na Alemanha à Europa e ao território nacional.

“A AWS Local zone e Portugal reflete o compromisso de longo prazo da AWS com o
país, está a ser criada uma infraestrutura digital que responde às necessidades em
evolução dos nossos clientes nacionais”, indica André Rodrigues, Head of AWS in
Portugal and Technology ISV para a Europa do Sul e França na AWS.

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O impacto de uma Local Zone em Lisboa

A batalha pela predominância em IA está cada vez mais forte e, em 2026, a tecnológica criada por Jeff Bezos compromoteu-se a investir 200 mil milhões de dólares nas diferentes infraestruturas, onde se inclui a portuguesa.

A ação da AWS em IA distribui-se em três áreas principais: os serviços cloud para machine learning; a Amazon BedRock, a plataforma que permite a várias empresas trabalhar em diretamente com alguns dos principais modelos (Anthropic, Mistral, entre outros) e ainda o Amazon Q, o agente para várias aplicações dentro da rede AWS, da programação à análise de dados.

No evento de lançamento da Local Zone em Lisboa, André Rodrigues destacou quatro indicadores para o impacto económico no país, através de um estudo um estudo independente da Telecom Advisory Services LLC:

  • 3 mil milhões de euros de impacto económico, com sinergias e utilização nas diferentes indústrias nacionais
  • Um crescimento de 1% no PIB 
  • Estimativa de criação de 17 mil empregos
  • Uma estimativa de que 65% das grandes empresas farão uma integração da tecnologia AWS

O investimento concreto para Portugal não foi revelado, mas deverá ser uma extensão do montante aplicado da Região alemã da AWS de cerca de 7,8 mil milhões de euros.

Ainda no posicionamento em inteligência artificial, André Rodrigues destacou também a aposta da Amazon em energias renováveis para suportar todas as suas operações. A nível macro, a Amazon é há cinco anos a maior compradores de energia renovável e em Portugal comprometeu-se com um investimento de 350 milhões euros no Parque Eólico  do Tâmega, onde irá adquirir 80% da energia produzida.