O Claude muda de personalidade consoante a língua que fala?
por Gabriel Lagoa | 16 de Setembro, 2026
Investigação da Anthropic analisou mais de 300 mil conversas e concluiu que o Claude exprime valores diferentes consoante o modelo e o idioma.
A Anthropic publicou um estudo que revela algo que muitos utilizadores do Claude podem ter sentido sem saber explicar: o assistente de IA não se comporta da mesma forma em todas as línguas nem em todos os modelos.
Para chegar a essa conclusão, a equipa analisou mais de 300 mil conversas entre o Claude e os seus utilizadores, recolhidas ao longo de duas semanas em maio deste ano.
O conjunto de dados abrangeu as 20 línguas mais usadas na plataforma e três modelos: Sonnet 4.6, Opus 4.6 e Opus 4.7.
Os investigadores organizaram mais de 3 mil valores identificados nas respostas do Claude em quatro eixos principais: Deferência vs. Cautela, Calor vs. Rigor, Profundidade vs. Brevidade, e Franqueza vs. Execução. Estes quatro eixos explicam 15% da variação total nos valores expressos.
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Os resultados, segundo a Anthropic, mostram diferenças entre modelos. O Sonnet 4.6 tende a ser mais caloroso, encorajador e breve. O Opus 4.7, por sua vez, é mais cauteloso e detalhado, pois questiona pressupostos, alerta para riscos sem ser solicitado e admite as suas limitações. O Opus 4.6 fica algures pelo meio, focado em ir direto ao ponto.
As diferenças por idioma são igualmente consideradas relevantes. O Claude em árabe e hindi tende a ser mais caloroso e deferente; em inglês e russo, mais rigoroso e cauteloso. Em português, os valores situam-se entre estes extremos.
A Anthropic reconhece que ainda não sabe se esta variação é desejável ou problemática. Duas pessoas a pedir feedback sobre o mesmo plano de negócios uma em português, outra em russo, podem receber avaliações com enquadramentos bastante diferentes.