Neuraspace capta 15,6 milhões de euros para expandir vigilância espacial e soluções de defesa
por Gabriel Lagoa | 5 de Agosto, 2026
Startup portuguesa recebe financiamento público e privado para reforçar plataforma de IA e acelerar oferta dedicada à defesa.
A Neuraspace, empresa portuguesa especializada em vigilância espacial e gestão de tráfego espacial baseadas em inteligência artificial, anunciou esta quarta-feira uma ronda de financiamento de 15,6 milhões de euros. O objetivo é acelerar a expansão internacional das suas soluções comerciais e de defesa.
O montante divide-se em 9,6 milhões de euros provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e 6 milhões de euros de investimento privado, liderado pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.
Segundo um comunicado, os recursos vão impulsionar o desenvolvimento das capacidades comerciais e de defesa da empresa, com foco em operações espaciais autónomas, infraestruturas soberanas de deteção e inteligência artificial aplicada à segurança espacial. O investimento também deverá permitir reforçar a plataforma de IA, expandir a rede própria de sensores óticos e acelerar o desenvolvimento da NeuraspaceDEF, a oferta dual-use voltada para entidades governamentais e de defesa.
Vasco Pereira Coutinho, CEO da Lince Capital, diz que a Neuraspace “afirmou-se como uma das mais promissoras empresas europeias de tecnologia espacial, combinando excelência técnica com uma crescente tração comercial num mercado de importância estratégica cada vez maior.”
Fundada em 2020, a Neuraspace já regista um crescimento de receitas superior a 350% no último ano. Atualmente monitoriza mais de 600 satélites, de clientes como Spire Global, GEOSAT, NanoAvionics, Sidus Space, U Space e a Agência Espacial Europeia (ESA). No setor da defesa, a empresa tem contratos com a Força Aérea Portuguesa e a NATO, e foi recentemente selecionada como parceiro principal por um Ministério da Defesa europeu.
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O comunicado sublinha que o espaço está cada vez mais congestionado e competitivo, com operadores de satélites a enfrentar ataques cibernéticos, interferências de radiofrequência, spoofing e jamming de sinais, além de atividades antiespaciais cada vez mais sofisticadas.
Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace, explica que a missão da empresa, que é tornar o espaço mais seguro, evoluiu com a realidade operacional, já que proteger satélites significa hoje lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segundo a executiva, este investimento assinala o início da próxima fase de crescimento da Neuraspace, reforçando as capacidades soberanas da Europa em Vigilância Espacial e disponibilizando os serviços de inteligência artificial que a próxima geração de missões comerciais, institucionais e de defesa vai necessitar.
A empresa tem sede em Portugal e escritórios no Luxemburgo e na Alemanha.