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Meta acaba com fact-checking para “voltar a dar voz aos utilizadores”

por Marta Amaral | 8 de Janeiro, 2025

Uma tentativa de aproximação ao rival ou a restauração da liberdade de expressão? A Meta acaba hoje com os filtros sobre tópicos que fazem parte do discurso mainstream e volta a adotar uma abordagem mais personalizada sobre conteúdos políticos.

O programa de verificação de factos foi implementado por Zuckerberg em 2016, depois de Donald Trump ter sido eleito, ao contrário do que apontavam as sondagens.

Quando foram conhecidos os resultados, o Facebook foi responsabilizado pela eleição de Trump e considerado um instrumento político e de propaganda. 

O fact-checking nas redes sociais aparece nesta altura como forma de “combater a desinformação e proteger a democracia”, através de um sistema complexo com vários filtros que tinha como objetivo moderar o conteúdo dos utilizadores

Em 2025, a história inverte-se num momento semelhante: Donald Trump volta a vencer as eleições e o CEO da Meta decide acabar com esta ferramenta por considerar que o sistema “atingiu um ponto em que tem demasiados erros e demasiada censura”.

Oito anos depois, Zuckerberg alerta para a necessidade de “restaurar a liberdade de expressão” e aponta o Governo Americano como “a única maneira de voltarmos atrás na tendência global de censura

Onde é que já ouvimos isto?

O discurso de liberdade nas redes sociais não é uma novidade mas uma tendência, uma vez que a própria campanha eleitoral de Donald Trump focou-se especialmente no combate à política woke (filtros como “descriminação de género ou imigração” vão deixar de estar presentes no Facebook, Instagram e Whatsapp).

Em 2022, o rival Twitter foi comprado pelo empresário Elon Musk com o propósito de “libertar o pássaro”.

Foi neste lema que surgiu a rede social X “uma compra importante para o futuro da civilização para que tenha uma praça digital em comum, onde um vasto leque de crenças possa ser debatido de forma saudável, sem recurso à violência”, justifica Musk.

A “praça digital comum” emerge agora também no Facebook e no Instagram, que deixam de ter uma equipa especializada em fact-checking, passando o poder para os próprios utilizadores através de “community notes” — notas que podem ser adicionadas por qualquer utilizador sempre que considerem um post “enganoso ou incorreto”, algo que já acontecia na rede social X.

A aproximação de Zuckerberg a Trump e ao rival Musk

O homem mais rico do mundo foi uma figura fundamental para a eleição de Donald Trump, em quem investiu milhões de dólares e deu a cara em vários comícios durante a campanha eleitoral do novo presidente dos Estados Unidos.

O esforço foi recompensado: em Novembro, Trump anunciou a criação de um novo departamento de eficiência governamental que vai ser liderado por Elon Musk.

É uma pasta misteriosa, com poucos detalhes revelados, mas que tem como objetivo “desmantelar a burocracia governamental”.

Com o segundo mandato de Trump prestes a começar, Zuckerberg tem estado mais próximo do presidente dos EUA, os dois jantaram juntos em Mar-a-Lago, na Flórida, no final de dezembro.

O fim do fact-checking na Meta surge num timing suspeito, e os utilizadores não poupam nas críticas à decisão de Zuckerberg, a quem chamam de “Lil Musk“, acusando-o de ter dado um “move político e hipócrita”.

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