Maravalley, a fábrica de Unicórnios do Rio de Janeiro
por Miguel Magalhães (Texto) | 12 de Junho, 2026
Na edição de 2026 do Web Summit Rio, no Brasil, ficámos a conhecer uma das organizações que está a procurar transformar o Rio de Janeiro num verdadeiro pólo de inovação.
À primeira vista, o que distingue Lisboa do Rio de Janeiro? Excluindo a geografia e a dimensão, ambas as cidades partilham características de beleza e a clássica expressão “bom tempo, boas praias e boa comida”. Mas não só.
Há 10 anos, a vinda do Web Summit para Lisboa foi um dos catalisadores para criar uma série de iniciativas ligadas a inovação e empreendedorismo que não seriam possíveis de outra forma. A cidade deu a conhecer um mundo de oportunidades e com isso também identificou as infraestruturas que faltavam para tirar proveito das mesmas. Com isso, criou-se um ciclo positivo de maior atenção internacional, mais investimento e mais incentivos para quem quisesse levar o seu negócio para a frente.
Não ficou e não está tudo resolvido, mas o panorama de inovação português mudou por completo. Desde 2023, o Rio está à procura de uma transformação semelhante.
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O efeito “Web Summit”
No Brasil, há várias décadas que o centro empresarial e tecnológico está em São Paulo. É para lá que a maior parte das startups em setores como fintech, energia ou saúde se procura mudar na altura de escalar e tirar proveito de um mercado que tem mais de 250 milhões de consumidores.
O Rio de Janeiro quer mudar esse paradigma e o Web Summit faz parte dessa estratégia. Na quarta edição do Web Summit Rio estiveram mais de 40 mil pessoas e mais de 1500 startups que puderam encontrar o que o Rio de Janeiro tem para oferecer além de um mergulho em Copacabana ou uma vista panorâmica do Cristo Redentor. Uma dessas iniciativas é o Maravalley.
O nome vem da alcunha “Cidade Maravilhosa” atribuída ao Rio e trata-se de um hub tecnológico criado em 2024, que vem resolver um desafio importante na cidade: garantir que a inovação que é criada em universidades, laboratórios ou incubadoras fica no Rio e que as empresas e empreendedores responsáveis por elas têm condições para as fazer crescer a partir da região “carioca”.
“O Maravalley nasceu para ajudar o Rio de Janeiro a recuperar o seu protagonismo na economia da inovação. Hoje vemos essa visão a materializar-se diariamente por meio das conexões, dos negócios e das oportunidades que surgem dentro do hub”, afirma Daniel Barros, CEO do Maravalley.
Situado na zona portuária do Rio de Janeiro, o Maravalley já é hoje casa de mais de 100 empresas que procuram tirar proveito de um ecossistema local que tem privilegiado a colaboração direta com o setor público e a criação de uma infraestrutura que permite a experimentação com várias soluções antes de serem reguladas a 100% (também conhecidas por sandboxes).
Tal como a Unicorn Factory Lisboa, organiza também vários programas de inovação em colaboração com multinacionais focados nos mais diferentes setores.

O Panorama das Startups Cariocas
Mais de 5 mil milhões de reais (~850 milhões de euros) em faturação e mais de 14 mil empregos.
São as principais conclusões do estudo apresentado no decorrer desta edição do Web Summit Rio, que foi elaborado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com o Maravalley.
Utilizando dados da plataforma Zoox Eye, foram mapeadas aproximadamente 600 empresas a operar na cidade, que representam já 1,3% do PIB carioca. Outros indicadores são:
- 7,1 anos de atividade, em média
- 23,7 funcionários por empresa
- Mais de 66% das startups identificadas estão a 10 quilómetros do Maravalley
- Tecnologia de Informação, Educação e Saúde são as principais indústrias
Com 6,7 milhões de habitantes, Daniel Barros acredita que o estudo já mostra resultados do esforço para transformar o Rio numa capital de inovação.
“O Rio tem ativos únicos para liderar a economia de inovação. Temos universidades de excelência, centros de pesquisa, grandes empresas, talentos e uma enorme capacidade de gerar conexões. O Panorama das Startups Cariocas permite, pela primeira vez, enxergar esse ecossistema com mais profundidade e transformar perceções em dados concretos para apoiar decisões, investimentos e políticas de desenvolvimento”.