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Investigadoras premiadas por projetos inovadores em saúde e sustentabilidade

por Inês de Almeida Fernandes | 17 de Setembro, 2026

Investigação nas áreas da oncologia, imunologia, biotecnologia e energias renováveis foi distinguida pelo L’Oréal Group em Portugal e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Já são conhecidas as vencedoras da 22ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, iniciativa do L’Oréal Group em Portugal e da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que visa promover a igualdade de género na ciência. 

Os projetos das investigadoras Ana Esteves e Fátima Santos, ambas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), e de Cláudia Martins e Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S/UP), foram os quatro escolhidos entre dezenas de candidaturas nacionais. 

Pelo rigor e impacto social das suas investigações nas áreas da oncologia, imunologia, energias renováveis e biotecnologia, as vencedoras receberam um prémio individual de 15 mil euros, que pretende viabilizar a execução dos seus projetos. 

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Terapia inovadora e deteção precoce

Entre os quatro projetos premiados destacam-se, na área da saúde, as investigações em oncologia e imunologia. 

A investigadora Cláudia Martins estuda uma nova forma de combater as células cancerígenas residuais do glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais frequente e agressivo em adultos. 

Mesmo após intervenção cirúrgica, resíduos das células cancerígenas podem permanecer no cérebro, mas a investigadora está a desenvolver um implante que os pode travar. 

O pequeno dispositivo é concebido para ser colocado no local onde o tumor foi removido e atuar como um reservatório inteligente de medicamentos. Além da libertação gradual e localizada de quimioterapia, o implante bloqueia os mecanismos de resistência celular e trabalha para combater a proliferação tumoral. 

Já a investigação de Inês Alves, Glicoimunologista, pretende identificar as alterações dos açúcares que envolvem a superfície celular dos tecidos afetados pelo Lúpus Eritematoso Sistémico. 

Identificar os padrões dos açúcares alterados e também de anticorpos permite compreender de que forma estes contribuem para a resposta anormal do sistema imunitário. 

O lúpus afeta maioritariamente mulheres e o seu diagnóstico é, muitas vezes, um processo demorado, pelo que o estudo destes padrões cria uma oportunidade para a deteção precoce da doença, evitando danos irreversíveis nos orgãos e tecidos. 

Bioeconomia e eficiência energética

A produção de conhecimento na área da sustentabilidade ambiental também ficou mais rica com os contributos das investigadoras Ana Esteves, na biotecnologia, e de Fátima Santos, nas energias renováveis. 

A primeira, procura identificar novas formas mais eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis de produzir microalgas, para que a sua utilização em larga escala pela indústria seja cada vez mais acessível. 

O segredo para o sucesso é o efeito combinado de diferentes espectros de luz e frequências sonoras para promover o crescimento e agrupamento natural das microalgas, o que facilita a sua separação da água com menos consumo de energia e sem aditivos químicos. Numa fase mais avançada do projeto, o objetivo é integrar modelos de inteligência artificial para otimizar os processos no âmbito da bioeconomia circular. 

Já a investigação de Fátima Santos foca-se no desenvolvimento de uma nova geração de células fotovoltaicas sensibilizadas por corante, que são capazes de captar a luz ambiente em espaços interiores, como casas ou escritórios, e transformá-la em eletricidade. 

O plano é utilizar essa tecnologia para alimentar dispositivos de baixo consumo energético e sensores da Internet das Coisas (IoT), eliminando a dependência da substituição de baterias. A solução pode ser integrada em superfícies como janelas para rentabilizar a luz interior e exterior.

O programa para distinguir as mulheres na ciência nasceu, globalmente, em 1998 pela mão da Fundação L’Oréal e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), tendo sido estabelecido em Portugal pelo L’Oréal Group em parceria com a FCT, em 2004.