IA está a ajudar trabalhadores em vez de os substituir, diz Anthropic
por Gabriel Lagoa | 16 de Janeiro, 2026
Análise de 2 milhões de conversas mostra que inteligência artificial aumenta produtividade mas exige supervisão humana nas tarefas mais complexas.
A inteligência artificial não está a roubar empregos. Pelo menos por enquanto. Um novo estudo da Anthropic, empresa criadora do Claude, mostra que a tecnologia está sobretudo a ajudar as pessoas a fazer o seu trabalho em vez de as substituir completamente.
O relatório chega num momento de debate aceso sobre o futuro do trabalho. Dario Amodei, CEO da própria Anthropic, já alertou que a IA pode eliminar metade dos metade dos empregos administrativos para profissionais em início de carreira. Mas os dados da empresa que lidera contam uma história mais equilibrada.
Os números contam a história
O estudo analisou conversas reais de utilizadores do Claude entre agosto e novembro de 2025. A conclusão principal é que 49% dos empregos já usam IA em pelo menos um quarto das suas tarefas. Há três meses, eram 36%.
Quanto ao tipo de uso, há uma divisão quase ao meio. Cerca de 52% das interações envolvem o que o estudo chama aumento de capacidades, como escrever relatórios em conjunto com a IA. Outros 45% são pura automação, do género “traduz isto para francês”.
Duas faces da mesma moeda
A IA está a mudar empregos de formas diferentes consoante a profissão. Para alguns trabalhadores, como os especialistas de TI, a tecnologia pode assumir grandes partes do trabalho. É automação no sentido clássico.
Mas para radiologistas ou terapeutas, por exemplo, a IA trata do trabalho mais rotineiro, libertando tempo para tarefas que exigem mais competências humanas. É o que os investigadores chamam de “upskilling”.
O problema da complexidade
Há um senão considerado importante. A IA funciona melhor em tarefas complexas, mas são precisamente essas que mais precisam de supervisão humana. O Claude consegue reunir informação sobre um tema em minutos, mas alguém com conhecimento na área tem de verificar se aquilo faz sentido.
Peter McCrory, responsável pela economia na Anthropic, resume que “as tarefas mais complexas que as pessoas pedem ao Claude são aquelas onde o Claude tende a ter mais dificuldades. Por isso a supervisão, orientação e iteração humana são ainda mais valiosas.”
O estudo revela ainda alguns padrões geográficos. Os Estados Unidos, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul lideram o uso do Claude. A nível global, a adoção está fortemente ligada ao PIB per capita de cada país.
Mas há sinais de mudança rápida dentro dos EUA. Estados com menor uso estão a recuperar depressa. Se o ritmo se mantiver, o uso per capita pode equalizar-se em todo o país dentro de 2 a 5 anos. É uma velocidade de difusão cerca de 10 vezes mais rápida do que tecnologias importantes do século XX, segundo o documento.
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