Fundada por portugueses, Biorce levantou 44 milhões para escalar IA em ensaios clínicos
por Marta Amaral | 6 de Fevereiro, 2026
A Biorce, startup fundada em Barcelona por quatro empreendedores portugueses, fechou uma ronda de investimento de 52,5 milhões de dólares (cerca de 44,3 milhões de euros).
O objetivo é acelerar o desenvolvimento da sua plataforma de inteligência artificial para ensaios clínicos e reforçar a expansão internacional, com especial foco nos Estados Unidos.
Fundada em Barcelona há dois anos, a empresa deverá utilizar os fundos para expandir as capacidades da Aika, a sua plataforma de IA, e para escalar a equipa.
A ronda foi liderada pela DST Global, uma das principais firmas de capital de risco do mundo, com investimentos históricos em empresas como Facebook, Alibaba e Spotify. Os acionistas Norrsken VC, YZR Capital e Mustard Seed Maze também participaram na ronda, juntamente com a Endeavor Catalyst e um grupo de investidores individuais de destaque, incluindo Nik Storonsky, CEO da Revolut; Arthur Mensch, cofundador e CEO da Mistral AI; Paulo Rosado, fundador da OutSystems; Albert Nieto, fundador da Seedtag; Stef Van Grieken, cofundador da Cradle; e Alex Berriche, fundador da Fleet.
“Esta ronda reflete tanto a dimensão do problema que estamos a resolver como a confiança do mercado na nossa visão”, afirmou Pedro Coelho, cofundador e CEO da Biorce, que considera que o capital angariado representa uma “validação” da tecnologia, da equipa e do potencial da empresa. Com esta operação, a Biorce já levantou mais de 50 milhões de euros desde a sua fundação.
A empresa está a desenvolver uma plataforma de inteligência artificial que simplifica o desenho e a execução de ensaios clínicos, desde a seleção de pacientes até à escolha dos hospitais, com o objetivo de reduzir ineficiências num setor caracterizado por custos elevados e prazos de validação longos.
“Reduzimos em 50% o tempo gasto na preparação e processamento da documentação envolvida nestes processos altamente complexos”, disse Pedro Coelho. A missão da empresa é que “os ensaios sejam mais rápidos, mais fiáveis e mais acessíveis, para que os pacientes possam beneficiar mais cedo de novos tratamentos”.
A Biorce foi fundada em 2024 em Barcelona por Pedro Coelho, juntamente com Clara Bernardes, José Faria e Diogo Pisoeiro, todos portugueses.
“Escolhemos Barcelona pela sua atratividade internacional e pela disponibilidade de talento tecnológico (…) Tive uma nova ideia e decidi testá-la nos Estados Unidos. Funcionou, e ao regressar à Europa optámos por Barcelona, já que as coisas se tornaram mais complicadas com o Brexit”, recordou o empreendedor.
Desde o seu lançamento, a startup conquistou perto de 50 clientes no setor farmacêutico, principalmente nos Estados Unidos, mas também na Europa e na Ásia. “No ano passado, gerámos mais de 10 milhões de euros em receitas e empregámos 60 pessoas. Temos escritórios em Barcelona, Nova Iorque, Londres e Lisboa”, disse o CEO. Para 2025, a empresa espera receitas de aproximadamente 12 milhões de euros e atingir a rentabilidade líquida.
Após esta ronda Série A, a Biorce planeia acelerar o seu crescimento com a abertura de um centro de I&D em Austin, no Texas, para estar mais próxima do ecossistema farmacêutico e biotecnológico dos EUA, bem como a expansão da sua sede em Barcelona. A empresa espera terminar o ano com uma força de trabalho de 250 colaboradores, com novas contratações divididas equitativamente entre Barcelona e Austin.
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