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E se o teu próximo colega for um agente de IA? Equipas mistas estão para breve, acredita o CEO da Devoteam

por Inês de Almeida Fernandes | 1 de Outubro, 2026

Conferência Fusion Devoteam; à direita, Nuno Oliveira Santos, CEO Devoteam Portugal

Inteligência artificial é capaz de desempenhar cada vez mais tarefas. Decidir o que pode fazer, quem a supervisiona e onde começa e acaba a autonomia da máquina é a pergunta de um milhão de euros.

A inteligência artificial (IA) já faz parte da vida de milhões de pessoas e a sua rápida evolução permitiu que se espalhasse um pouco por todas as esferas. Levamo-la no bolso, falamos com ela em casa e pedimos-lhe ajuda no trabalho, mas até onde vai o alcance da entidade omnisciente que vive nos nossos dispositivos? Em breve, acredita Nuno Oliveira Santos, estará também na força de trabalho das organizações.

O vice-presidente do grupo e diretor-geral da Devoteam em Portugal apontou o salto para os agentes de IA como o ponto de transição: “Atualmente, a IA ainda está muito nos ecrãs dos computadores, mas os agentes vão crescer no espaço das equipas”, disse à margem da segunda edição do Fusion, evento organizado pela Devoteam que juntou, na Fundação Champalimaud, decisores, líderes tecnológicos e academia para debater as possibilidades e limitações da IA.

A evolução, disse, será suficientemente rápida para que seja difícil fazer futurologia, mas é expectável que daqui a um ano já se esteja a discutir as novas equipas constituídas por humanos e agentes de IA.

A própria Devoteam tem vindo a preparar-se para ajudar os seus parceiros nessa nova fase, sob o mote “Building the Agents of Change”, que vai exigir reflexão sobre o que os agentes conseguem fazer, mas também sobre que lugar vão ocupar dentro das organizações.

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A análise do responsável pela operação em Portugal vai ao encontro do que prevê o diretor-geral do grupo, Sebastien Chevrel, que deu o pontapé de saída do Fusion com uma afirmação de peso. Em breve, disse, algumas organizações “provavelmente terão mais agentes do que trabalhadores”, o problema é que estes novos membros da força de trabalho não têm ainda um responsável claro e um âmbito de atuação definido.

“Como é que se governa uma força de trabalho que nunca se contratou?”, questionou, lembrando que a capacidade de a IA dar respostas certas já não está em dúvida, a verdadeira incógnita é se já decidimos o que estamos dispostos a deixá-la fazer sem supervisão humana.

IA mais autónoma e o “faroeste digital”

A segurança da tecnologia é um dos temas que mais tem preocupado líderes da indústria e opinião pública. As últimas semanas ficaram marcadas por relatos de vários agentes de IA que não só ultrapassaram os limites que lhes foram impostos, como se programaram para os contornar e escapar ao controlo humano.

Por um lado, o objetivo é que a IA se torne mais autónoma para facilitar processos, criar valor e libertar os trabalhadores para outras tarefas de maior relevância, mas, por outro, é preciso caminhar para modelos cada vez mais apertados de segurança para evitar incidentes.

Afinal, quem é responsável se um agente tomar uma decisão que não era suposto? Será a empresa que desenvolveu o modelo ou quem deu as instruções para executar uma determinada tarefa? A resposta não está claramente definida, mas o que é certo, considerou o CEO da Devoteam, é que a tensão entre acelerar e travar dificilmente será eliminada.

“É aí que as competências clássicas de gestão das organizações têm de ser revisitadas e atualizadas”, porque a imprevisibilidade funciona como ponto de moderação, mas é preciso saber lidar com ela. No seu entender, todas as grandes inovações tecnológicas têm este “calibrador”, mas, a par disso, é necessário que reine o bom senso.

Outra vertente essencial da segurança é a regulação, esfera em que a Europa tem estado a avançar, por exemplo, através do Regulamento sobre Inteligência Artificial, mais conhecido por AI Act. No entanto, a velocidade a que a tecnologia evolui obriga a regular e legislar mais depressa, sob pena de se construir um sistema que não ataca a base do problema, considerou José Tribolet.

Para o professor jubilado do Instituto Superior Técnico, se não existir consenso sobre o mundo em que vivemos atualmente e reconhecimento de que o partilhamos com entidades que já têm capacidade de ação própria, permaneceremos onde estamos, “no faroeste digital”.

O fator “uau” já passou. E agora?

E se por um lado a IA se está a tornar mais autónoma, por outro, importa saber se a sua aplicação nas empresas está efetivamente a criar valor. Passada a fase do entusiasmo inicial, é inevitável começar a fazer contas, apontou Nuno Oliveira Santos, lembrando que a utilização de IA pressiona a energia, as infraestruturas, a segurança e os próprios custos associados à tecnologia. “Depois do fator ‘uau’ é tempo de perceber se esta desarrumação da nossa realidade se justifica do ponto de vista do que fazemos enquanto organizações”.

O diretor-geral do grupo Devoteam, Sebastien Chevrel, partilha a mesma visão. Atualmente, o desafio para as empresas já não é só calcular o retorno de um investimento em IA, mas conseguir prever quanto vai custar utilizá-la para escalar.  Nesse sentido, a previsibilidade é um fator valioso, mas escasso, que permite às organizações continuar a acelerar na inovação.

O cerne da questão está na discrepância entre a velocidade individual e a velocidade das empresas: os trabalhadores estão, de facto, a fazer mais e mais depressa, mas as decisões e os produtos não estão a sair mais rápido. Entre uma coisa e outra, continuam a existir processos que ainda bloqueiam as organizações, explicou.

No fundo, a transformação tecnológica não começa nem termina na IA, mas a rápida evolução das ferramentas obrigam, inevitavelmente, a repensar a estrutura dos negócios.