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COREangels SportsTech investe em projeto que transforma ténis em objetos inteligentes

por Gabriel Lagoa | 20 de Fevereiro, 2026

Movmenta criou sensores ultraleves para integrar em equipamentos desportivos, que monitorizam desempenho desportivo e desgaste do material em tempo real.

O desporto deixou de ser apenas músculo. Nos últimos anos, a tecnologia entrou a fundo nos estádios, nos ginásios e nas sapatilhas, literalmente. Sensores, inteligência artificial e análise de dados passaram a fazer parte do treino de atletas profissionais e amadores, e o mercado europeu de sports tech já vale 350 milhões de euros em receitas anuais. A estimativa é que chegue aos 470 milhões até 2027, num setor cujo potencial total supera os seis mil milhões de euros. O problema é que o capital tarda a aparecer, sobretudo nas fases mais iniciais. É esse espaço que um fundo sediado em Lisboa quer ocupar.

O COREangels SportsTech apresenta-se como o primeiro fundo europeu dedicado exclusivamente a startups early stage de tecnologia desportiva. Gerido pela OW Ventures e assente no modelo de arcanjo, em que os investidores participam ativamente na seleção e no acompanhamento das empresas, o fundo tem como meta reunir entre 50 a 60 business angels, com um investimento mínimo individual de 50 mil euros. O objetivo é chegar aos cinco milhões de euros e construir um portefólio de 25 a 30 startups, com um ticket médio de 120 mil euros por empresa.

O arranque aconteceu esta semana, com o anúncio do primeiro investimento: 150 mil euros na Movmenta, uma startup britânica que desenvolveu sensores sem bateria para integrar em equipamentos desportivos.

Sapatilhas que avisam quando é hora de as trocar

A ideia da Movmenta é simples de explicar e mais difícil de engenheirar: sensores minúsculos (o sistema pesa 1,5 gramas) são integrados diretamente em sapatilhas, raquetes ou bolas. Alimentados pelo smartphone do utilizador, sem necessidade de bateria própria, recolhem dados biomecânicos em tempo real: absorção da sola, pronação, supinação, forças de impacto. Essa informação é depois analisada por algoritmos de inteligência artificial numa aplicação móvel.

O resultado prático é que o equipamento passa a comunicar com quem o usa. O sistema avisa quando a sola já não absorve o impacto como devia, quando o padrão de movimento indica risco de lesão, e quando chegou o momento de substituir as sapatilhas, com base no uso real e no perfil de cada atleta.

O primeiro produto comercial da empresa chama-se Sollo e está focado no calçado de corrida. A tecnologia venceu o ISPO Munich Brandnew Award 2023, na categoria Sports Technology & Platforms.

Um mercado com capital em falta

Para entrar no portefólio do COREangels SportsTech, as startups têm de ser europeias, estar em fase pré-seed ou seed, e ter pelo menos seis meses de vendas ou evidências de product-market fit. As áreas de interesse incluem IA aplicada ao desporto, wearables, software para clubes e instituições, envolvimento de adeptos e eSports.

Já decorreram dois comités de investimento. O terceiro está marcado para março. O fundo não esconde que quer ser a referência europeia para quem constrói o futuro do desporto, a partir de Lisboa.

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