Voltar | Mobilidade Dossier: Crescer a partir de Portugal

Como Indie Campers e Famel estão a redefinir a mobilidade a partir de Portugal

por Miguel Magalhães (Texto) | 26 de Janeiro, 2026

O mundo está a mudar a um ritmo acelerado e a forma como nos deslocamos acompanha essa transformação. O mais recente episódio do The Next Big Idea, na SIC Notícias, foca-se precisamente nesta tendência, destacando duas empresas portuguesas que estão a inovar no setor da mobilidade: a gigante das roadtrips Indie Campers e o renascimento elétrico da icónica Famel.

O que começou em 2013, fruto de uma viagem inspiradora de Hugo Oliveira à Austrália e com apenas três autocaravanas modificadas, é hoje um das empresas de referência em Portugal no setor da mobilidade. A Indie Campers evoluiu para se tornar uma espécie de “Airbnb para roadtrips”, contando atualmente com mais de 500 colaboradores e presença em mais de 20 países.A ambição da empresa não mostra sinais de abrandamento. Entre 2024 e 2025, a empresa levantou 62,5 milhões de euros em investimento, um dos maiores montantes captados por uma empresa portuguesa para sustentar o seu crescimento.

Do aluguer a um marketplace global

Duarte Moreira, COO da Indie Campers, explica que a estratégia passa por expandir para novos territórios (como o sucesso recente na América do Norte) e criar novas unidades de negócio que tragam sustentabilidade e dados.

A empresa deixou de ser apenas uma frota de aluguer. Em 2021, lançaram um marketplace que permite a aluguer de autocaravanas operadas por terceiros, transformando-se numa plataforma digital completa. O objetivo para 2026 é ambicioso:

  • Atingir as 100 localizações em cerca de 24 países.
  • Alcançar a marca de um milhão de noites de viagem proporcionadas aos clientes.

Segundo Duarte Moreira, um dos grandes desafios que a Indie Campers procura resolver é a fragmentação da indústria, ligando o aluguer de veículos a uma experiência consistente que inclua, no futuro, a integração com parques de campismo.

Famel, a eletrificação de um ícone nacional

Se a Indie Campers convida a viagens longas, a Famel propõe uma revolução na mobilidade urbana, recuperando uma das marcas mais queridas dos portugueses.

O projeto ganhou uma nova dimensão estética com a chegada de Massimo Barbieri, designer italiano ex-Renault, que se juntou à equipa liderada por Joel Sousa após ler um artigo sobre o renascimento da marca. O desafio? Trazer de volta a icónica XF17, mas numa versão totalmente elétrica e sustentável.

Para Barbieri, redesenhar a XF17 implicou “redesenhar cada milímetro”, mantendo a alma da mota original. Elementos como o depósito e a sua ligação ao banco foram mantidos para preservar a identidade, enquanto peças obsoletas na era elétrica (como o escape ou o triângulo de ferramentas) foram removidas. O maior obstáculo, contudo, não é técnico, mas emocional. “A transição pelas motos elétricas talvez vai ser mais difícil [do que nos carros]. (…) O que faz parte da paixão é também o barulho que a moto faz”.

A estratégia da Famel passa por convencer os puristas através de um produto de design forte, mas também expandir a gama. O futuro da marca prevê a introdução de scooters (partilhando componentes técnicos como motor e bateria) e soluções para o mercado B2B (entregas e serviços).

“Made in Portugal” como selo de criação

Ambas as empresas partilham uma visão que transcende a fronteira nacional. Enquanto a Indie Campers tem já 70% dos seus clientes vindos do mercado internacional, a Famel quer ser uma marca europeia produzida em Portugal.

Massimo Barbieri resume o sentimento que une estes projetos de inovação: é necessário que o selo “Made in Portugal” deixe de ser visto apenas como um símbolo de boa produção fabril e passe a ser reconhecido globalmente como um símbolo de inovação e criação.

A Famel e a Indie Campers foram apoiadas pela linha de financiamento “Deal-by-Deal”, do Banco Português de Fomento (BPF). O BPF é uma instituição financeira que cria soluções inovadoras para apoiar projetos nacionais e internacionais, promovendo a sustentabilidade e o desenvolvimento económico. Através da sua atividade, incentiva a capacidade empreendedora, o investimento, a competitividade e a criação de emprego.

Vê aqui o episódio