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Como a portuguesa NEXX exporta 96% dos capacetes que produz

por Marta Amaral | 25 de Junho, 2026

Num mercado dominado por fabricantes históricos de motociclismo, há uma marca portuguesa que conseguiu conquistar espaço muito para lá das fronteiras nacionais.

A NEXX Helmets, sediada em Anadia, completou 25 anos de atividade com um dado que ilustra bem a sua dimensão internacional: 96% dos capacetes que produz são vendidos no estrangeiro, sobretudo para mercados como Alemanha, França e Estados Unidos.

A empresa especializou-se exclusivamente no desenvolvimento e fabrico de capacetes para motociclistas, apostando no segmento premium, com modelos em fibra de carbono, tecnologia própria e foco na segurança. É essa estratégia de especialização que lhe permite competir em mercados onde o preço deixou de ser o principal fator de decisão.

A NEXX compete não pelo preço, mas pelo valor. Combinamos design distinto, inovação tecnológica e elevados padrões de qualidade. A proximidade com parceiros internacionais e a capacidade de adaptação a diferentes mercados têm sido determinantes para ganhar credibilidade, introduz Hélder Loureiro, CEO e fundador da NEXX.

Produção em Portugal continua a ser uma vantagem

Num setor onde grande parte da produção foi sendo deslocalizada para países com custos mais baixos, a NEXX continua a fabricar integralmente em Portugal a sua gama premium, conhecida como Coleção X.

Manter a produção em Portugal garante controlo total sobre a qualidade. Num segmento premium, esta proximidade assegura flexibilidade, rapidez no desenvolvimento e uma atenção ao detalhe que seria difícil de replicar num modelo deslocalizado.

Esta aposta também ajuda a explicar a longevidade da empresa. Segundo a NEXX, os 25 anos de atividade resultam de uma combinação entre visão estratégica, investimento contínuo em inovação e desenvolvimento próprio, mantendo uma identidade consistente ao longo do tempo.

Estados Unidos tornam-se um mercado estratégico

Entre os vários mercados internacionais, os Estados Unidos têm assumido um peso crescente nas vendas da empresa. O crescimento acompanha uma procura cada vez maior por produtos premium destinados a motociclistas que valorizam desempenho, inovação e diferenciação.

Segundo a empresa, essa evolução tem sido impulsionada pela aposta em segmentos como racing e adventure, bem como pela adaptação dos produtos às exigências específicas do mercado norte-americano.

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Os motociclistas estão mais exigentes

A evolução tecnológica também mudou aquilo que os consumidores esperam de um capacete. Se há alguns anos a segurança era praticamente o único critério de compra, hoje entram na equação fatores como conforto, leveza, aerodinâmica, conectividade ou design.

Os consumidores tornaram-se muito mais informados e exigentes. Esperam um produto altamente técnico, mas que também represente o seu estilo de vida.

Essa transformação obriga os fabricantes a investir continuamente em investigação e desenvolvimento. Para a empresa portuguesa, os próximos anos vão ser marcados por materiais mais leves e resistentes, maior integração tecnológica (incluindo soluções de comunicação e conectividade) e melhorias na ergonomia e no desempenho aerodinâmico.

A sustentabilidade também deve ganhar importância, tanto na escolha dos materiais como nos processos de produção.

Competir com marcas centenárias

Apesar de celebrar um quarto de século de existência, a NEXX continua a ser uma empresa relativamente jovem quando comparada com alguns dos fabricantes históricos do setor, muitos deles com várias décadas (ou mesmo mais de um século) de atividade. Esse contexto representa um desafio adicional na construção de notoriedade internacional.

O principal desafio é conquistar confiança num mercado onde existem marcas muito consolidadas. Mas essa juventude também nos dá agilidade, capacidade de inovação e uma abordagem mais disruptiva.

Depois de atingir uma forte presença internacional, a ambição da empresa passa agora por consolidar esse crescimento sem abdicar da aposta em inovação e qualidade.

Queremos continuar a desafiar convenções e elevar continuamente os padrões de segurança, desempenho e design para motociclistas em todo o mundo, conclui Hélder Loureiro.

Ao fim de 25 anos, a empresa portuguesa mostra que, mesmo num setor tradicionalmente dominado por grandes fabricantes internacionais, ainda há espaço para marcas que conseguem diferenciar-se através da tecnologia, do design e da especialização. Hoje, com apenas 4% das vendas realizadas em Portugal, é sobretudo lá fora que a NEXX continua a acelerar.