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Apple prepara óculos inteligentes e “socialmente aceitáveis”

por Marta Amaral | 14 de Abril, 2026

Depois de anos a apostar em dispositivos de realidade aumentada e a falhar o alvo, a Apple está agora a experimentar uma ideia mais simples.

A Apple vai desenvolver os seus primeiros óculos inteligentes, com lançamento previsto para 2027, e novos detalhes sugerem uma estratégia deliberada de superar a Meta na execução (e não necessariamente na inovação). E, apesar de chegar tarde, a Apple poderá acabar por dominar a categoria, graças a funcionalidades como a integração com o iPhone e a obsessão da empresa pelo design.

  • Mais detalhes: Segundo a Bloomberg, a Apple está a desenvolver óculos inteligentes leves, com funcionalidades como captação de fotografia e vídeo, reprodução de música, chamadas e acesso a notificações do iPhone. A interação deverá ser feita sobretudo através da Siri, que a empresa quer tornar mais contextual e proativa.

Ao contrário de dispositivos de realidade aumentada mais ambiciosos, como o Apple Vision Pro, esta primeira geração não deverá incluir ecrãs integrados. A ideia é “vestir” a IA no dia a dia de forma discreta, num formato próximo de óculos tradicionais.

  • O design sempre o design: A empresa estará a testar várias armações (com diferentes formatos e cores e materiais premium), procurando garantir que o dispositivo seja socialmente aceitável e esteticamente apelativo.

A estratégia replica uma lógica já validada pela concorrência: transformar tecnologia vestível em acessório de moda. Neste campo, os óculos da Meta com a Ray-Ban são hoje a principal referência.

  • Há mais: Os óculos são apenas uma peça da estratégia de wearables com IA da Apple, que deverá incluir também uma nova geração de AirPods e ainda um dispositivo, semelhante a um colar, que utiliza uma câmara e sensores para recolher informação do ambiente e permitir à inteligência artificial interpretar o contexto em tempo real.

Todos os dispositivos desta linha captam o ambiente em redor e alimentam diretamente a Siri e a Apple Intelligence. E, ao contrário da Meta (que recorreu a fabricantes de lentes para as armações, como a RayBan) a Apple está a desenvolver o design de forma autónoma.

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  • Zuckerberg está preocupado? Os óculos Ray-Ban da Meta tornaram-se um sucesso inesperado e esgotaram repetidamente. A Meta tem margem financeira, parcerias e uma base de utilizadores fiel. Mas a Apple tem o iPhone.

Se os seus óculos estiverem bem integrados com uma Siri melhorada, podem ser uma extensão natural do que já está no bolso de mais de mil milhões de pessoas. O Apple Watch não foi o primeiro smartwatch, nem os AirPods foram os primeiros fones sem fios e ambos se tornaram a referência.

  • Nem tudo são rosas: O sucesso da Apple na categoria dos óculos vai depender em grande medida de uma Siri que funcione realmente, algo que a empresa promete há anos, e ainda não cumpriu.

A entrada da Apple nos óculos inteligentes não surpreende. A questão é saber se está a entrar numa categoria já conquistada pela Meta ou se está em aberto. Ainda assim, o historial da Apple mostra que não precisa de chegar primeiro, basta chegar.