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A Google lançou o Gemini 3 com “respostas mais genuínas e menos clichés”

por Marta Amaral | 18 de Novembro, 2025

A corrida não dá tréguas e, na disputa pela liderança da Inteligência Artificial (IA), cada dia conta. Desta vez, o moove veio da Google.

A tecnológica apresentou esta terça-feira o Gemini 3, a nova geração do seu modelo de inteligência artificial. A atualização promete respostas mais completas e contextualizadas, reduzindo a necessidade de múltiplos prompts, uma evolução que, segundo Sundar Pichai, CEO da Alphabet citado pela CNBC, mostra como “em apenas dois anos, a IA passou de ler texto e imagens para ler a sala”.

O novo modelo será integrado em todo o ecossistema da Google: na app Gemini, nos produtos de busca com IA (AI Mode e AI Overviews) e nas soluções empresariais da empresa. O rollout começa hoje para um grupo restrito de subscritores e será alargado progressivamente nas próximas semanas.

Uma nova abordagem

Pichai sublinha que o Gemini 3 foi desenvolvido para “compreender profundidade e nuances” e interpretar melhor o contexto e a intenção do utilizador. A Google frisa que os modelos anteriores continuarão disponíveis para tarefas mais simples.

Os passos acelerados já mostram resultados, a app Gemini já soma 650 milhões de utilizadores mensais, enquanto o AI Overviews chega aos 2 mil milhões. Para comparação, a OpenAI anunciou em agosto que o ChatGPT alcançou os 700 milhões de utilizadores semanais.

A Big Tech está a investir agressivamente em infraestruturas de IA. Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind, garante que o Gemini 3 troca “clichés e bajulação por insight genuíno”, um piscar de olhos às críticas de que muitos chatbots atuais se mostram demasiado complacentes (a abordagem extremamente amigável que conhecemos).

A IA “amiga” dos programadores e dos criativos

As novidades não ficam por aqui. A Google revelou também o Google Antigravity, uma nova plataforma de agentes que permite aos programadores programarem de forma mais orientada a tarefas, uma aposta clara na tendência emergente dos agentes autónomos.

Josh Woodward, vice-presidente da Google Labs, descreveu o Gemini 3 como o “melhor modelo de vibe coding de sempre”, uma referência ao crescente mercado de ferramentas que geram código a partir de prompts.

A empresa demonstra ainda outro avanço: interfaces gerativas. O Gemini 3 consegue “transformar respostas em layouts ricos”, com imagens, tabelas ou grelhas, quase como uma revista digital. Num exemplo interno, o modelo foi capaz de explicar a Van Gogh Gallery criando contextos visuais e narrativos para cada obra.

Dentro do “AI Mode”, a nova versão ficará inicialmente disponível para utilizadores pagos. Entre as capacidades demonstradas estão a criação automática de simuladores interactivos, calculadoras personalizadas ou explicações visuais de problemas complexos de física.

Os programadores vão ter acesso via Gemini API, enquanto empresas poderão integrar o modelo através do Vertex AI. Para clientes corporativos, a Google aponta casos como a criação de programas de onboarding, análise detalhada de vídeo e imagens industriais.

Com o Gemini 3, a Google reforça a pressão numa corrida onde nenhum dos gigantes quer perder o ritmo e onde a próxima grande vantagem poderá surgir não apenas do que a IA responde, mas de como o faz.

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