Augusta Labs levanta primeira ronda com unicórnios portugueses
por Marta Amaral | 2 de Junho, 2026
A Augusta Labs, startup portuguesa especializada em transformação empresarial com inteligência artificial, levantou mais de cinco milhões de euros na sua primeira ronda de investimento.
A operação avalia a empresa em 50 milhões de euros apenas dois anos após a sua fundação e reúne entre os investidores fundadores de alguns dos unicórnios portugueses mais conhecidos, como a Sword Health, OutSystems, Feedzai e Anchorage.
Fundada em 2024 por Rodrigo Fernandes e João Cerejeira, a empresa pretende utilizar o novo capital para acelerar a expansão internacional, com foco nos Estados Unidos e em Londres, e reforçar a sua capacidade de execução de projetos de transformação com inteligência artificial.
O capital vai para as duas coisas que mais importam na nossa empresa: distribuição e delivery. (…) Do lado da distribuição, expandir agressivamente a nível global. Do lado do delivery, construir a melhor máquina de transformação de empresas com IA do mundo, criada pelos melhores jovens do nosso país.
A Augusta Labs trabalha atualmente com empresas Fortune 500, firmas de private equity e entidades governamentais. Segundo os fundadores, a abordagem da empresa passa por redesenhar organizações de raiz, utilizando inteligência artificial não apenas para aumentar a eficiência, mas também para criar novas fontes de receita.
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“Entramos numa empresa e reimaginamo-la de raiz. Trabalhamos com a c-suite para desenhar a versão futura do negócio, reorganizando processos e linhas de receita, e a partir daí desenvolvemos soluções de IA personalizadas”, explicam. “Cada vez mais, isso passa não só por tornar mais eficiente o que já existe, mas por criar novas fontes de receita que antes não eram possíveis.”
A empresa afirma crescer mais de seis vezes por ano e conta já com mais de 40 colaboradores. Para Rodrigo Fernandes e João Cerejeira, a principal explicação para este crescimento está na equipa.
Somos obcecados por ter as pessoas certas, e elas são algumas das pessoas mais brilhantes e ambiciosas que conhecemos: gente jovem que resolve problemas que ninguém tinha resolvido, aprende a uma velocidade absurda e constrói entre si uma cultura especial e genuinamente diferente.
Os fundadores apontam também o momento atual da evolução da inteligência artificial como um fator determinante. Consideram que a tecnologia atravessa a maior transformação das últimas décadas e que as ferramentas hoje disponíveis permitem construir soluções que eram impossíveis há apenas alguns meses.
A experiência acumulada pelos dois empreendedores em contextos distintos também terá contribuído para o crescimento da empresa. Antes de lançar a Augusta Labs, Rodrigo Fernandes trabalhou diretamente com o fundador da Sword Health, enquanto João Cerejeira iniciou a carreira na McKinsey.
A partir de Lisboa
Apesar da expansão internacional, a empresa mantém a ambição de construir uma tecnológica global a partir de Portugal.
Sucesso, daqui a cinco anos, é sermos uma das maiores empresas tecnológicas de Portugal e da Europa — e tê-lo feito a partir de Lisboa, apostando tudo naquilo que Portugal tem de mais extraordinário e de mais ignorado: os seus jovens, afirmam.
O principal desafio identificado pelos fundadores passa por preservar a cultura interna e a qualidade da equipa à medida que a empresa cresce.
“É a parte mais difícil de qualquer empresa que cresce depressa e é por isso que apostamos tanto no talento. Para nós não é um detalhe, é o que decide se chegamos lá ou não”, conclui Rodrigo Fernandes.