Voltar | Empresas

Quase metade das empresas falhou metas de crescimento em 2025

por Marta Amaral | 9 de Abril, 2026

Cerca de 42% das empresas falharam as metas de crescimento em 2025, um máximo histórico, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica crescente e pela dificuldade em escalar soluções de inteligência artificial (IA), segundo um novo estudo da Bain & Company.

A terceira edição do relatório B2B Growth Agenda 2026 da Bain, baseado num inquérito a mais de 1100 executivos de empresas B2B a nível global, mostra que a percentagem de empresas que falharam objetivos de receita subiu para 42% em 2025, face a 32% em 2024 e 33% em 2023.

Embora o estudo tenha âmbito global, a Bain & Company identifica tendências semelhantes no mercado português, com várias empresas ainda a enfrentar desafios na adoção e escalabilidade da IA, bem como na adaptação dos modelos comerciais a um contexto de maior incerteza.

Apesar deste desempenho, 91% dos executivos dizem estar confiantes no cumprimento das metas em 2026, prevendo um crescimento de receitas cerca de 20% superior ao registado no ano anterior.

“A volatilidade deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural. Muitas empresas continuam com modelos comerciais desajustados face à velocidade do mercado e da tecnologia”, afirma João Valadares, partner da Bain & Company. “Existe um gap claro entre ambição e execução”.

Volatilidade está a alterar prioridades comerciais em todos os setores

O impacto da volatilidade varia por setor. Na saúde e nas ciências da vida, destaca-se a pressão contínua sobre os preços, enquanto o setor de tecnologia, media e telecomunicações enfrenta desafios na aquisição e retenção de clientes em mercados altamente dinâmicos.

No setor bancário, a prioridade é a produtividade comercial e a modernização das capacidades de go-to-market. Já nos serviços e na indústria transformadora, aumentam as pressões operacionais ao longo das cadeias de valor, especialmente em áreas como aeroespacial, defesa, logística e materiais de construção.

Em todos os setores, a Bain conclui que as empresas precisam de modelos comerciais mais ágeis, com a inteligência artificial a assumir um papel central como acelerador de crescimento.

Empresas ainda não conseguem escalar a IA apesar da adoção generalizada

Embora 90% das empresas já utilizem IA, cerca de 60% admitem que não têm infraestruturas de dados ou tecnologia suficientemente preparadas para escalar estas soluções, limitando o seu impacto.

As empresas com melhor desempenho já integram a IA nos processos comerciais do dia a dia, conseguindo duplicar o crescimento de receitas associado a esta tecnologia e atingir níveis de eficiência de custos até 1,8 vezes superiores à média do setor.

“A experimentação isolada não gera resultados”, conclui João Valadares. “As empresas precisam de simplificar processos e integrar a IA de forma estruturada para capturar valor”.

Subscreve a nossa newsletter, onde todas as terças e quintas podes ler as melhores histórias do mundo da inovação e das empresas em Portugal e lá fora.