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O evento anual da Nvidia explicado em 5 pontos

por Gabriel Lagoa | 19 de Março, 2026

Dos chips aos carros autónomos, explicamos o que aconteceu na conferência anual da Nvidia.

Todos os anos, a Nvidia organiza a GTC, uma conferência para programadores que, nos últimos tempos, se tornou num dos eventos mais acompanhados do setor tecnológico. Este ano, o CEO da empresa, Jensen Huang, voltou a aparecer com o seu casaco de cabedal e ficou em palco durante quase três horas. O que é que aconteceu? Aqui vai o resumo.

1. A era dos agentes chegou 

Se em 2023 toda a gente falava de chatbots e em 2024 de modelos que “raciocinam”, 2026 é o ano dos agentes: programas de inteligência artificial que não se limitam a responder perguntas, mas que tomam decisões e executam tarefas de forma autónoma. Marcam reuniões, fazem reservas, interagem entre si. Huang dedicou boa parte do discurso a este tema e apresentou o NemoClaw, uma plataforma de código aberto que permite às empresas usar agentes com mais controlo e segurança. A base é o OpenClaw, um projeto criado pelo programador austríaco Peter Steinberger que, em semanas, se tornou um dos mais populares da história da internet.

O OpenClaw é, na prática, um sistema que permite a um agente de IA controlar o teu computador, seja a abrir aplicações, navegar na internet, preencher formulários ou enviar e-mails, sem que precises de fazer nada além de dar uma instrução. Pensa nele como um assistente que não só percebe o que queres, mas que também executa as tarefas por ti. A popularidade foi tão rápida que até o governo chinês alertou os seus funcionários para os riscos de fuga de dados, segundo a Reuters. O criador, Steinberger, foi entretanto contratado pela OpenAI, mas o projecto continua disponível para qualquer pessoa usar e adaptar.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante a apresentação do NemoClaw. Créditos: Nvidia

2. Um novo chip para uma nova era

Durante anos, os processadores gráficos (GPUs) da Nvidia dominaram o treino de modelos de IA. Agora, o foco mudou para a fase de “inferência”, quando a IA é usada no dia a dia, para responder a milhares de milhões de pedidos. Para isso, a empresa apresentou a plataforma Vera Rubin, que inclui um novo processador (CPU) chamado Vera, e também o Groq 3, fruto de uma aquisição de 20 mil milhões de dólares feita em dezembro (não confundir com o Grok, o chatbot da xAI de Elon Musk). A promessa é entregar dez vezes mais desempenho por watt do que a geração anterior.

3. Carros autónomos: da Uber à Bolt

Jensen Huang anunciou uma parceria com a Uber para lançar uma frota de veículos autónomos em 28 cidades de quatro continentes até 2028, com início em Los Angeles e São Francisco. Na Europa, a novidade foi a parceria com a Bolt, que vai usar a plataforma de robotáxi da Nvidia para escalar operações no continente. Marcas como BYD, Hyundai, Nissan e Geely também foram anunciadas como parceiras.

4. IA no espaço?

Menos esperado: a Nvidia apresentou o Space-1 Vera Rubin Module, um sistema pensado para centros de dados orbitais. A ideia é que satélites possam processar dados diretamente em órbita, sem precisar de enviar tudo para a Terra. Ainda não há data de lançamento, e o próprio Jensen Huang admitiu que construir computadores no espaço “continua a ser muito complicado”.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante a apresentação do Vera Rubin. Créditos: Nvidia

5. Jogos: o novo filtro que dividiu a internet

A apresentação do DLSS 5, uma tecnologia que usa IA para melhorar gráficos em videojogos, gerou polémica. Utilizadores nas redes sociais criticaram o resultado, dizendo que os personagens ficam demasiado polidos e irreais, como se tivessem passado por um filtro de beleza. A Nvidia e alguns estúdios garantem que os programadores têm controlo total sobre o resultado final. A discussão continua.

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