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6 tecnologias portuguesas que estão a reinventar a imagem

por Marta Amaral | 18 de Agosto, 2026

Uma fotografia já não serve apenas para guardar memórias. Em Portugal, as imagens estão a ser utilizadas para criar avatares, preservar património, estudar doenças e revelar o interior do corpo.

Assinalado esta quarta-feira (19 de agosto), o Dia Mundial da Fotografia celebra uma invenção que transformou a forma como registamos o mundo. Quase dois séculos depois das primeiras experiências fotográficas, captar uma imagem deixou de significar apenas pressionar um botão.

Startups, empresas e centros de investigação portugueses estão a combinar câmaras, inteligência artificial, fotogrametria e sensores para extrair informação que o olho humano nem sempre consegue ver. Estas são seis tecnologias desenvolvidas em Portugal que mostram até onde pode chegar uma imagem.

Didimo

Criar uma personagem tridimensional costumava exigir várias câmaras, equipamento especializado e horas de trabalho. A portuguesa Didimo desenvolveu uma tecnologia capaz de gerar um avatar digital realista a partir de uma fotografia do rosto.

Nascida na Universidade do Porto e incubada na UPTEC, a empresa começou por simplificar a criação de representações digitais de pessoas. Atualmente, desenvolve ferramentas de automatização de personagens 3D para videojogos e outras experiências digitais. A tecnologia permite criar personagens em escala e adaptá-las ao estilo visual de cada projeto, reduzindo parte do trabalho manual habitualmente necessário na modelação tridimensional.

EyeFundusScope

Uma fotografia da retina pode ajudar a identificar doenças como a retinopatia diabética ou o glaucoma. O problema é que captar uma imagem com qualidade exige normalmente equipamento especializado e profissionais treinados. Investigadores da Fraunhofer Portugal AICOS desenvolveram o EyeFundusScope, um dispositivo ótico portátil que pode ser ligado a um smartphone para captar imagens da retina sem ser necessário dilatar a pupila.

A solução recorre a inteligência artificial, luz infravermelha e sensores para orientar o utilizador em tempo real. O sistema indica se é necessário aproximar, afastar ou rodar o equipamento até encontrar a posição adequada. A tecnologia recebeu proteção através de uma patente europeia.

LUME3D

A fotografia regista um espaço a partir de um único ponto de vista. A LUME3D procura ir mais longe, combinando câmaras fotográficas, drones e captura terrestre para transformar lugares reais em ambientes tridimensionais navegáveis. O estúdio português capta interiores, exteriores e áreas envolventes, compondo os diferentes registos numa única cena fotorrealista acessível através da internet.

A tecnologia pode ser utilizada para preservar monumentos e edifícios, criar roteiros turísticos, apresentar hotéis ou imóveis e documentar obras e equipamentos. Em vez de mostrar apenas como um espaço parece, permite percorrê-lo digitalmente.

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PETsys

Nem todas as imagens começam numa câmara tradicional. Na Tomografia por Emissão de Positrões, conhecida como PET, os detetores captam sinais produzidos por partículas para construir imagens do funcionamento do organismo.

Sediada em Oeiras, a PETsys Electronics desenvolve componentes eletrónicos e sistemas de leitura para detetores de alta precisão utilizados em imagiologia médica e investigação científica. A empresa nasceu da experiência de investigadores portugueses ligados ao Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e ao CERN. A tecnologia pretende aumentar a resolução dos equipamentos PET, usados em áreas como a oncologia, a neurologia e a investigação de novos medicamentos.

RI-TE

Os sistemas PET convencionais são complexos, pesados e podem custar mais de meio milhão de euros, limitando o acesso de universidades e centros de investigação. A RI-TE — Radiation Imaging Technologies, spin-off da Universidade de Aveiro, criou o easyPET, um sistema compacto que utiliza dois conjuntos de detetores em rotação, em vez do anel completo presente nos equipamentos tradicionais.

Esta arquitetura reduz o número de componentes e permite diminuir a complexidade, o peso e os custos em mais de cinco vezes, mantendo imagens de alta resolução. A tecnologia pode ser utilizada na investigação pré-clínica, no desenvolvimento de medicamentos e na formação de profissionais de medicina nuclear. A empresa está também a explorar a aplicação da tecnologia à imagem molecular do cérebro, nomeadamente na identificação precoce de sinais associados à doença de Alzheimer e a tumores cerebrais.

InovaMind

A InovaMind, criada em 2022, utiliza fotografia, fotogrametria e digitalização 3D para criar representações digitais precisas de objetos e pessoas. A empresa trabalha com peças industriais, veículos e formas orgânicas. Os modelos obtidos podem ser utilizados para controlo dimensional, engenharia inversa, desenvolvimento de componentes, investigação científica ou projetos artísticos. Neste caso, a imagem deixa de ser apenas uma representação visual. Torna-se uma fonte de medidas e informação técnica que permite analisar, reproduzir ou modificar um objeto real.