40% do crescimento económico global até 2040 deverá concentrar-se em apenas 18 áreas
por Marta Amaral | 9 de Junho, 2026
O crescimento económico global está a concentrar‑se de forma acelerada em apenas 18 arenas de rápido crescimento – as “arenas do futuro” – que poderão gerar entre 29 e 48 biliões de dólares em receitas anuais até 2040, o equivalente a 30% a 40% do crescimento mundial.
As conclusões são do novo estudo The race takes off in the next big arenas of competition, do McKinsey Global Institute (MGI).
O estudo revela que estas arenas cresceram, desde 2022, cerca de quatro vezes mais do que outros setores em capitalização de mercado e dez vezes mais em receitas. Entre elas incluem-se software e serviços de IA, indústria de veículos autónomos partilhados, setor dos veículos elétricos, publicidade digital, cibersegurança, indústria de semicondutores, setor espacial, indústria de medicamentos contra a obesidade, streaming de vídeo, e-commerce, robótica, indústria de baterias, mobilidade aérea do futuro, construção modular, fissão nuclear, indústria dos videojogos e biotecnologia não médica.
Esta concentração do crescimento não é apenas uma projeção futura, mas um fenómeno já em curso há quase duas décadas, refletindo uma alteração estrutural na forma como o valor económico é criado e distribuído à escala global. Ao contrário dos setores tradicionais, as arenas combinam inovação rápida, escala global e forte entrada de capital, acelerando a emergência de novos líderes económicos.
A criação de valor associada a estas arenas permanece fortemente concentrada do ponto de vista geográfico. As empresas com sede nos Estados Unidos e na China representam atualmente cerca de 90% do valor de mercado das arenas do futuro. As empresas dos Estados Unidos lideram 14 das 18 arenas em capitalização de mercado e 10 em receitas, enquanto a China tem vindo a ganhar terreno, sobretudo no crescimento de receitas. Em contraste, a Europa surge com uma presença mais limitada nas arenas de crescimento mais acelerado, em particular nas áreas digitais e de software – como inteligência artificial, serviços cloud e plataformas tecnológicas – que concentram uma parte significativa do crescimento global.
O estudo sugere que esta menor exposição às arenas mais dinâmicas não resulta de um único fator, mas de uma combinação de menor escala empresarial, fragmentação de mercados e menor peso relativo em ecossistemas tecnológicos globais. Num contexto em que o crescimento económico se concentra cada vez mais em arenas altamente tecnológicas e de rápida expansão, esta posição levanta desafios estruturais para a competitividade europeia a médio e longo prazo.
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Um dos principais motores destas arenas é a aceleração do ecossistema da inteligência artificial, que atua como infraestrutura transversal para múltiplas áreas económicas. Desde 2022, o conjunto de indústrias que constitui a base da Inteligência Artificial – semicondutores, serviços de cloud e software de IA – acrescentou cerca de 500 mil milhões de dólares em receitas e 11 biliões de dólares em capitalização de mercado. O aumento da procura por infraestruturas e o investimento antecipam níveis de adoção da IA significativamente superiores aos atuais, beneficiando sobretudo as empresas com capacidade para desenhar, escalar e operar tecnologia à escala global.
O estudo do MGI identifica ainda a ascensão de um novo perfil de concorrente global, designado de “omniscaler” – empresas que competem simultaneamente em múltiplas arenas, combinando escala financeira, capacidades tecnológicas e velocidade de execução. Atualmente, apenas nove empresas se enquadram neste perfil e, em conjunto, geraram 700 mil milhões de dólares em cash flow operacional em 2025 e investiram mais de 800 mil milhões de dólares em investigação, desenvolvimento e despesas de capital, expandindo a sua presença para até nove arenas geradoras de receita.
Para a McKinsey, esta concentração do crescimento económico num número limitado de arenas levanta desafios estratégicos relevantes para regiões com menor exposição a estas áreas, incluindo a Europa. À medida que estas áreas aumentam a sua escala e influência, passam a moldar cadeias de valor inteiras e a redefinir as prioridades estratégicas de empresas e economias.
O estudo sublinha que competir nestas arenas de rápido crescimento exigirá escala, velocidade e integração tecnológica, num contexto em que a inteligência artificial funciona como multiplicador de valor transversal e onde a ausência de massa crítica pode traduzir‑se numa perda estrutural de competitividade a médio e longo prazo.